O impacto da queda da Selic em 2026 no mercado imobiliário e na construção civil

Após um 2025 marcado por juros elevados, com a Selic atingindo 15% ao ano, o maior patamar em décadas , o cenário para 2026 aponta para uma virada relevante no ambiente econômico brasileiro.

Por Arquis
16/01/2026

Projeções de grandes instituições financeiras, como BTG Pactual e Santander, indicam que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12% ao ano, com início do ciclo de cortes já no primeiro trimestre. Essas projeções são fundamentais para entender as perspectivas do setor imobiliário e da construção civil.

Funding do SBPE e crédito imobiliário

Com a Selic alta, a poupança — principal fonte de funding do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) — perdeu competitividade frente a outros investimentos de renda fixa, como CDBs, resultando em saques recordes e restrição de recursos para financiamentos habitacionais. Isso dificultou o acesso ao crédito, especialmente para a classe média, restringindo o acesso ao financiamento imobiliário para uma parcela significativa da população.

Com a expectativa de queda da Selic, a rentabilidade da poupança também diminui, que é um pilar do funding do SBPE. No entanto, o principal efeito para o mercado imobiliário é que o interesse por investimentos em CDBs e outros produtos de renda fixa tende a desacelerar, já que esses ativos passam a oferecer retornos menos atrativos. Com isso, investidores e poupadores buscam alternativas mais rentáveis, como o próprio mercado imobiliário, seja por meio da compra direta de imóveis ou por meio de fundos imobiliários (FIIs). Esse movimento contribui para o aumento da demanda por imóveis e para a valorização dos ativos do setor.

Pressão sobre preços e demanda no mercado imobiliário

Durante o ciclo de juros altos, o acesso ao financiamento imobiliário ficou mais restrito para imóveis na faixa do SBPE, guinando o mercado para uma dependência maior do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Com a redução da Selic, o crédito tende a baratear no geral, estimulando a procura por imóveis e o consumo como um todo no mercado. A pressão de baixa sobre os preços diminui e pode haver retomada de valorização, especialmente em regiões com demanda reprimida.

Fomento ao mercado de médio padrão e diversificação

A queda dos juros é especialmente importante para o mercado imobiliário de médio padrão, que depende fortemente do crédito via SBPE. Nos últimos anos, a alta dos juros e a restrição de funding direcionaram o foco do setor para o Programa Minha Casa, Minha Vida, voltado à baixa renda, com 66% dos lançamentos na capital paulista tendo sido voltado para o MCMV. Com a Selic em queda, o crédito para a classe média tende a se tornar mais acessível, reduzindo a dependência do setor em relação ao programa habitacional e promovendo maior equilíbrio e diversificação no mercado imobiliário.

Considerações finais

A transição para um ciclo de queda da Selic em 2026, conforme projetado por BTG Pactual e Santander, representa um alívio para todos, mas especialmente uma oportunidade para o setor da construção civil e para o mercado imobiliário brasileiro. A melhora no funding do SBPE, a redução do custo do crédito para o construtor e o aumento da demanda devem impulsionar o setor, favorecendo tanto incorporadoras quanto compradores.


Arquis
Este post foi redigido pela equipe do Arquis. Ficou com alguma dúvida? É só nos enviar em [email protected] ;)